Obra de Fernando Morais é tema de evento sobre jornalismo, arquivo e memória
Com a participação do autor de "A Ilha", "Olga" e "Chatô", evento será realizado nos dias 9 e 10 na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP
A trajetória de um dos mais conhecidos jornalistas e biógrafos do Brasil será o ponto de partida para debates no seminário Arquivos, Memória e Escrita Pública da História: Jornalismo, Biografia e Brasil Contemporâneo a Partir da Obra de Fernando Morais, que acontece nos dias 9 e 10 deste mês na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP. Com a presença do autor de livros como A Ilha – um relato sobre o cotidiano de Cuba sob o governo de Fidel Castro, publicado em 1976 -, Olga e Chatô, o evento vai reunir jornalistas, escritores, historiadores e especialistas em arquivos para debater “o uso de documentos e testemunhos na investigação jornalística, os desafios da escrita biográfica e a participação do jornalismo na construção da memória pública”, de acordo com texto de divulgação do seminário, divulgado pela BBM. “Morais dedicou boa parte de sua carreira à investigação de personagens e acontecimentos da história política brasileira e latino-americana. Suas obras combinam entrevistas, documentos de arquivo e reportagens realizadas ao longo de vários anos. Essa experiência permite examinar como acontecimentos históricos são reconstruídos pela escrita jornalística e como essas narrativas passam a integrar o conhecimento que a sociedade tem de seu passado”, acrescenta o texto da BBM. A entrada é grátis.
Ao longo dos dois dias de atividades, o seminário apresentará seis mesas-redondas. A primeira delas, no dia 9, segunda-feira – logo após a abertura oficial do evento, às 10 horas -, tratará de Arquivos de Pessoas Jornalistas e Memória Pública, e será mediada pelo diretor da BBM, professor Marcelo Candido da Silva. Vão participar dessa mesa a escritora e roteirista Beatriz Bracher, autora da trilogia Guerra, e a professora Sonia Maria Troitino Rodriguez, livre-docente em Patrimônio Documental da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Bracher vai falar sobre seu romance ambientado durante a Guerra do Paraguai (1864-1870) e os problemas relacionados à preservação de arquivos históricos. Sonia Troitino tratará dos arquivos de escritores e de sua importância como patrimônio documental.
Às 14 horas do dia 9 acontece a segunda mesa-redonda, intitulada Jornalismo Investigativo, Documentação e Novas Tecnologias, que terá a participação de Fernando Morais, Lira Neto e Mario Magalhães – três jornalistas que publicaram livros-reportagens e biografias sobre personagens e episódios da história do Brasil. “A conversa tratará do trabalho de pesquisa que precede a escrita dessas obras: a consulta a arquivos, a seleção de documentos, o confronto entre testemunhos e a organização do material em uma narrativa”, destaca o texto da BBM. “Também serão discutidos os limites e as possibilidades da reportagem na interpretação de acontecimentos históricos.”
A Construção de Um Arquivo é o título da terceira mesa-redonda, que acontece às 16 horas do dia 9, com mediação da educadora Elisabete Ribas, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. Nela, o historiador Jean Camoleze abordará o uso de fontes e arquivos na elaboração de interpretações históricas e o também historiador Pedro Puntoni, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, examinará os arquivos e as políticas da memória no Brasil.
O primeiro dia do evento será encerrado com comentários de Fernando Morais sobre os debates realizados nas três mesas-redondas.
No dia 10, terça-feira, o seminário prossegue com a realização de mais três mesas-redondas. Às 10h30, o tema discutido será A Biografia como Gênero Literário e Forma de Conhecimento Histórico. Sob a mediação da professora da FFLCH Janina Onuki, coordenadora do Escritório USP Ciência e Sociedade, o jornalista Lucas Figueiredo discutirá a importância das biografias e reportagens para a escrita da história do Brasil, o historiador e professor da FFLCH Francisco Martinho abordará o lugar dos indivíduos e das trajetórias pessoais no trabalho dos historiadores e Lira Neto tratará da pesquisa documental e das decisões narrativas envolvidas na elaboração de uma biografia.
Às 14 horas, o seminário prossegue com a mesa Jornalismo, Literatura e História no Brasil e na América Latina Contemporânea, mediada pelo professor Renato Levi, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Nela, o professor cubano Jorge Fornet, do Centro de Investigaciones Literarias Casa de las Américas, de Havana, em Cuba, falará sobre jornalismo de não ficção, revoluções latino-americanas e memória política, enquanto o historiador e professor da FFLCH Daniel Gomes de Carvalho discutirá o uso do podcast na escrita pública da história no Brasil, considerando as possibilidades desse formato para a divulgação e a discussão do conhecimento histórico.
A última mesa do seminário, às 16 horas, será Jornalismo, Literatura e História Pública. Ela será mediada pelo professor Laurindo Leal Filho, da ECA, e terá como participantes Mario Magalhães, que discorrerá sobre as disputas de memória envolvidas na escrita de biografias e os desafios de narrar a trajetória de personagens históricos, e a jornalista Karla Monteiro, que falará sobre a contribuição do jornalismo literário para a interpretação da história brasileira.
O encerramento do seminário está previsto para as 17h30 do dia 10 com uma palestra proferida por Fernando Morais, intitulada Meio Século de Jornalismo como História e como Literatura.
O seminário Arquivos, Memória e Escrita Pública da História: Jornalismo, Biografia e Brasil Contemporâneo a Partir da Obra de Fernando Morais será realizado nos dias 9 e 10 de novembro, das 10h às 18h, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. É preciso fazer inscrição neste link. A programação completa do evento está disponível no site da BBM.
